Além de fibra, o sisal pode gerar biocombustível

Artigo do Jornal A Tarde.

Está nascendo um projeto revolucionário na Bahia, mais precisamente na região do sisal. Em parceria com a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial, o Governo do Estado, por meio da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esportes, vai qualificar 400 famílias para aumentar a produtividade do agave, planta que aqui tem como a principal espécie o agave sisalana, utilizada na fabricação da fibra do sisal.

O Brasil é o maior produtor de sisal do mundo, e a Bahia responde por cerca de 80% dessa produção. Porém, o atual método de extração aproveita somente a fibra, que representa apenas 4% da planta. Ou seja, 96% do agave é descartado na forma de resíduos sólidos (16%) e líquidos (80%). Com manejo adequado e capacitação técnica, é possível aproveitar quase a totalidade da planta, utilizando o excedente de biomassa como matéria-prima para geração de biocombustíveis, como o etanol. Essa transformação representa uma inovação estratégica, especialmente para regiões semiáridas, onde o agave se desenvolve com alta resistência e baixo consumo de água.

Além do etanol, outras possibilidades de aplicação dos resíduos incluem compostos plásticos, bioinseticidas, bioherbicidas, ração para ruminantes, entre outros. Uma das maiores vantagens da introdução do agave como fonte energética é seu potencial de complementar a produção das usinas de cana-de-açúcar durante a entressafra, com rendimento superior por hectare, especialmente em condições climáticas adversas.

Esses avanços são viabilizados por pesquisas científicas que apontam o seu alto desempenho energético e grande adaptabilidade a climas como o do sertão baiano. Empresas já demonstram interesse em instalar unidades industriais na região, atraídas pelas novas perspectivas de valorização da cadeia produtiva. Visando ampliar essas oportunidades e gerar renda para uma das regiões mais pobres da Bahia, estamos construindo um modelo de desenvolvimento sustentável e inclusivo. O objetivo é criar uma cadeia produtiva com valor agregado, que beneficie diretamente as famílias que historicamente vivem da extração artesanal do sisal.

Além da qualificação profissional, também serão adquiridos equipamentos, máquinas e utensílios agrícolas que permitirão a diversificação tecnológica e produtiva no território sisaleiro. Inicialmente, 20 municípios serão contemplados, com previsão de expansão a partir da análise dos resultados alcançados.

Sob a liderança do Governador Jerônimo Rodrigues, estamos comprometidos com a construção de projetos transformadores como esse, que aliam inovação, geração de emprego e sustentabilidade. Essa iniciativa não só impulsiona a economia local, mas promove inclusão social e valoriza a força produtiva do povo baiano.