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7 dezembro, 2021

Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres’ é tema de Audiência Pública presidida por Augusto Vasconcelos

Na manhã desta segunda-feira (06), o vereador Augusto Vasconcelos (PCdoB) realizou Audiência Pública com o tema ‘Homens pelo Fim da Violência Contra as Mulheres’ com a finalidade de promover um espaço de diálogo acerca do processo de conscientização dos homens e formular políticas públicas que assegurem o fim de todos os tipos de violência, em especial contra as mulheres. O evento foi transmitido pela TV e Rádio CAM e também pelo Facebook da Câmara Municipal de Salvador (CMS).
O evento se destacou também como uma oportunidade de mobilizar os homens sobre a campanha do ‘Laço Branco’, que acontece neste dia 06 de dezembro por todo país. Além disso, na Bahia, é realizado os 21 dias de ativismo pelo fim da violência contra as mulheres que teve início no dia 20 de novembro e vai até 10 de dezembro, data da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Augusto, que também é ouvidor-geral da CMS, mencionou a necessidade de engajar os homens sobre essa chaga social que atinge principalmente as mulheres mais pobres e negras.
“ É fundamental que nesta Audiência possamos debater o engajamento dos homens para enfrentar a violência contra as mulheres, sobretudo num contexto de masculinidade tóxica que também prejudica os homens com essa falsa sensação que a virilidade e que a defesa da masculinidade deve vim permeada pelos caminhos da violência, exalando inclusive problemas psíquicos para eles. É evidente que a masculinidade tóxica prejudica principalmente as mulheres e atinge em cheio crianças e adolescentes com uma cultura machista carregada em nossa sociedade, estando na raiz dos principais problemas de violência, já que a maior parte das ocorrências são frutos da violência doméstica”_, disse o parlamentar.
“Esse espaço no dia do ‘Laço Branco’, dia dos homens pelo fim da violência, é um espaço não pra gente falar, mas pra ouvirmos o que os homens tem feito de compromisso para o enfrentamento a violência contra a mulher. No último fim de semana tivemos um ato muito potente em Cajazeiras, onde a gente quis reforçar exatamente isso. No ato das mulheres, elas falam para que os homens aprendam e entendam a importância de combater o machismo e fazer o enfrentamento a violência contra mulher todos os dias, porque nós sofremos essa violência todos os dias, então os homens fazem parte dessa luta, queria muito que essa Audiência estivesse repleta dos vereadores da câmara, que todos os dias praticam violência política de gênero contra as mulheres, mas infelizmente são poucos os homens que querem se juntar a luta e as trincheiras de enfrentamento a violência contra mulher”, desabafou a co-vereadora da Mandata Coletiva Pretas Por Salvador (PSOL/BA), Laina Crisóstomo.
Fazendo uma ressalva à necessidade da construção de uma cidade democrática, com ações voltadas para mulheres e participação na vida delas, a presidente da União Brasileira de Mulheres do Estado da Bahia, Juliana Campos, pediu por políticas públicas que defendam e respeitem o direito de todas as mulheres.
“A violência contra a mulher começa desde o momento em que ela acorda e é negado a ela o direito a determinados espaços, como o da saúde, do trabalho, da educação, pelo simples fato dela ser mulher. Quando a gente olha para os dados de violência, olha para quem está a margem desse processo fora da universidade, da escola, ganhando menos dentro do processo do mercado de trabalho e sabemos que são as mulheres negras”, afirmou Juliana.
Um diálogo rico, a audiência também apresentou dados do Forúm Brasileiro de Segurança Pública em 2020, que apontou que 17 milhões de mulheres foram vítimas de alguma forma de violência no Brasil. O país também contou com um crescimento nas taxas de feminicídio pelo segundo ano consecutivo. Fazendo um recorte para Bahia, e seguindo os dados do último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o aumento de casos no Estado chegou a cerca de 11,8% de 2020 a 2021. O senador Jacques Wagner (PT), parabenizou a iniciativa, destacando que a pauta precisa ser abordada repetidas vezes.
_ “Precisamos continuar a insistir e repetir que é um absurdo, aliás, é um crime a violência contra as mulheres e principalmente a violência covarde de homens que, dentro de casa, agridem suas companheiras, suas esposas, suas namoradas. Vamos continuar com esse trabalho até que os homens coloquem na cabeça que essa luta também é nossa”_, disse.
A secretária de Política para as Mulheres do Estado da Bahia, Julieta Palmeiras, deu ênfase ao mandato de Augusto, esse que tem participado assiduamente das pautas de equidade de gênero, inclusive recentemente protocolou algumas iniciativas, tais como, a emenda ao plano da infância e da adolescência para que inclua o projeto de dignidade menstrual, a apresentação do plano de qualificação profissional e capacitação de mulheres no mercado de trabalho, a entrada na frente parlamentar mista e entre outros. A secretária também apresentou uma forte reflexão sobre a obrigação de um governo atuante na causa.
“A violência contra as mulheres é sistemática e faz parte da estrutura da sociedade, e isso é dito pelo Tribunal Internacional dos Direitos Humanos. Uma violência sistêmica, repetida, crônica, cotidiana. Isso é algo grave, por isso, buscamos levar os homens a se juntarem lado a lado com as mulheres, na iniciativa de pôr fim a essa violência. É um problema de saúde pública que afeta as mulheres, quando não lhes tira vida pelo feminicídio, e faz mal ao homem. Nós não queremos criar nossas filhas para serem assassinadas por violência de gênero, ou ter uma qualidade de vida afetada por isso, nem muito menos os nossos filhos para serem agressores ou feminicidas. Há uma necessidade de tomar uma atitude contra o machismo e isso deve envolver o governo e a sociedade, homens e mulheres”, mencionou Julieta.
A mesa foi composta pela secretária de Política para as Mulheres do Estado da Bahia, Julieta Palmeiras; a presidente da União Brasileira de Mulheres do Estado da Bahia, Juliana Campos; o cartunista e poeta, Nildão; o musico Vovô do Ilê, o secretário do Trabalho, Emprego e Renda, Davidson Magalhães; Criador e mestre de cerimônias das Jams Sessions, Ivan Huol; o senador, Jacques Wagner (PT); a vereadora, Marta Rodrigues (PT); o deputado estadual Robinson Almeida (PT); a diretora de Política para Mulheres de Salvador, Fernanda Cerqueira; a co-vereadora da mandata coletiva Pretas Por Salvador (PSOL/BA), Laina Crisóstomo; o defensor público do Estado da Bahia, Rafson Ximenes; o deputado estadual, Bobô (PCdoB); o deputado estadual, Fabricio Falcão (PCdoB); a diretora de gênero da Federação dos Bancários da Bahia e Sergipe, Nanci Andrade; o diretor da Confederação Nacional das Associações de Moradores (CONAM), João Pereira; a psicóloga Juliete Barreto e a líder do movimento de catadoras e catadores de materiais recicláveis, Ane Mine.

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